14 de abril de 2019

No eremitério de Alexandre Herculano


Luiz Augusto Rebelo da Silva matriculou-se em 1840 no 1º ano filosófico da Universidade de Coimbra, em que as cadeiras eram Química e Princípios de Álgebra, Geometria Analítica e Trigonometria Plana. 
Sabendo-se o que seria o seu percurso de romancista, publicista e historiador era tudo menos o adequado. 
Bulhão Pato diz que de lá saiu com três reprovações, «três implacáveis raposas». Braga Paixão, no que li da sua monografia dedicada à sua passagem pelo Governo como ministro do Mar e do Ultramar, afirma ter consultado o Arquivo da Universidade de Coimbra e de lá «não consta sequer que Luís Augusto tenha chegado a apresentar-se a algum exame».
Regressado a Lisboa fez a sua formação em auto-didactismo na casa que D. Pedro V facultara a Alexandre Herculano, ali logo ao lado do Palácio da Ajuda. Nesse «ermitério», como lhe chamava o autor de Eurico, o Presbítero,  na solidão que apenas as badaladas do relógio da Torre perturbavam, melhorou o seu Latim e iniciou-se nos estudos históricos, o que viria a ser a sua vocação. Herculano tinha então 32 anos e Rebelo da Silva 20.
Admitido na Academia das Ciências em 1854, seria em 1859 o primeiro regente da cadeira de História Pátria e Universal no Curso Superior de Letras que o jovem monarca mandara criar, sendo o Rei um dos seus alunos, juntando-se aos demais, ouvindo as suas lições todas as noites. Lembra-o José Maria Andrade Ferreira na obra que dedicou ao reinado e últimos momentos do rei que com justiça foi cognominado O Esperançoso.